O hospital se tornou uma segunda casa para mim, não tão confortável assim, mas o suficiente para me fazer dormir. Seus corredores já não eram mais tão assustadores assim e as enfermeiras já me conheciam mais do que meus vizinhos (que já devem me conhecer melhor que qualquer um, já que a fofoca rola solta pela minha vizinhança) e os médicos já haviam simpatizado com minha carinha "doentemente" angelical.
Kath também se tornou uma presença quase que diária no meu quarto de hospital, o que tornava aquele meu ataque em algo positivo e a estadia no hospital muito mais agradável.
Contudo, minhas noites no hospital se tornavam cada vez mais horripilantes. Visitas constantes de Julius não me deixavam dormir nem por um segundo. Tremia toda vez que via sua sombra passa pelos corredores e temi o dia em que ele puxou uma cadeira para o lado da minha cama e puxou também assunto comigo.
- Como você está, menino Charles?
- Quem é você?
- Sou o Procurador, o Investigador, o Servo Fiel. Sou Julius O Perverso! - disse com uma voz que demonstrava bravura e orgulho.
- E veio procurar...?
- Você.
- Mas o que eu fiz? Você vai me matar? Quer dizer, não me matou antes, me auxiliou a me proteger. O que você veio investigar aqui?
- Você é um tipo de energia muito rara, menino Charles. O lugar onde vive, a Terra, é uma das fontes de energia mais fortes que há. Porém, ela é protegida pela sua energia, Charles e não será tocada enquanto você estiver vivo.
- Se é assim, posso saber o porquê de eu ainda estar respirando? - não sei como tive coragem de fazer aquela pergunta, tremia sem poder me controlar.
Ele soltou um risso frio e cínico e continuou - Ora, muito simples! Você é guardado pela sua protetora, a anciã que você tem costume de chamar de Vovó. Ela está há muitos anos aqui na Terra, esperando pelo seu nascimento, o nascimento do guardião. A vovó é nada mais, nada menos do que a mulher que dará a própria vida para salvar a sua vida, Charles. O conselho a selecionou antes do planeta ser habitado.
- Vocês vão matar a minha vó? - as lágrimas enchiam meus olhos.
- Não vamos matar sua vó. Demetrius irá matá-la. Demetrius é aquele com quem eu falava na outra noite, nesse mesmo hospital. Ele é meu amo, meu mestre. Ele precisa da energia do seu planeta para alimentá-lo. Aqueles que são fracos servirão de alimento e os fortes o bastante para sobreviver, servirão uma vida de escravidão, totalmente dedicada a ele, assim como eu.
- E porque você me conta tudo isso?
- Eu fui selecionado há muito para observar você, menino Charles. Seu dia a dia, suas manias, seus sonhos, sua rotina e descobrir seu ponto fraco. Eu me apeguei muito a você. Depois de um tempo eu percebi que você não tinha um ponto fraco, você nem ao menos sabe o que pode fazer. Se soubesse, Demetrius estaria lutando a invadir seu planeta, mas ele não sabe. Por isso ainda não veio pessoalmente lhe ver. Ele acredita que você já sabe e portanto não irá por os pés nesse planeta por um bom tempo. Nesse meio tempo, ele insiste que eu informe para ele, tudo que acontece por aqui. Uma hora ou outra, terei de informar-lhe do seu desconhecimento total do que está havendo. Não poderei segurá-lo por muito mais tempo. Você tem que aprender logo.
- Aprender?
- Sim. Olhe, não há mais tempo. Preciso ir agora. Boa sorte, menino Charles! - deu uma piscadela amigável e se foi.
Nenhum comentário:
Postar um comentário