domingo, 3 de março de 2013

22 de Fevereiro de 2013

O dia em que conversei com Julius foi um dia definitivo pra mim e pra minha ruína.


O Primeiro Dia no Hospício de São Nicolau
Lar dos Mentalmente Insanos para Reabilitação 

O hospício é um lugar diferente do que as pessoas dizem. Pelo menos no primeiro dia é. Talvez eu devesse esclarecer aqui o que houve para minha estadia no hospício ser iniciada.
No dia 18 de fevereiro eu tive uma conversa relativamente proveitosa com Julius no meio da aula de sociologia. Acontece que naqueles três ou cinco minutos de conversa, a minha querida professora de sociologia escutou a minha conversa com ele e, como Julius estava invisível aos olhos dos outros seres humanos, ela presumiu que eu estava conversando sozinho e me encaminhou para a coordenação. De lá, depois de uma longa conversa sobre a minha conversa com alguém que não existia, eu fui mandado diretamente para a casa de minha mãe e para ela eu não omiti a verdade.
Nossa conversa já começou aos gritos e mamãe não quis saber se eu estava dizendo a verdade ou se estava mentindo, se eu estava louco ou querendo chamar a atenção. Tudo o que eu sei é que depois de muita discussão minha avó entrou pela porta com o meu avô.
- O que ELE está fazendo aqui?
- Viemos atrás do Charles, minha filha. Ah! Aí está você Charles. Por favor querido, faça suas malas, pegue apenas o essencial, precisamos partir o mais rápido possível. Minha filha, por favor, ajude seu pai a colocar suas malas no carro também. Vamos! Andem, andem!
- PAREM! Vocês não vão sair dessa casa com meu filho. Vocês acham que eu enlouqueci!? Charles, por favor, largue essa mala, sua vó não vai te tirar dessa casa.
- Minha filha, escute seu pai - disse Thomas colocando suas mãos sobre as mãos de minha mãe - Eu sei que no passado eu errei, mas precisamos pensar no Charles. Ele corre grande perigo, precisamos tirá-lo daqui.
Minha mãe parou por um segundo e analisou toda aquela cena. Encarou meu avô por mais alguns minutos e assentiu com a cabeça.
- Realmente, Charles, você está em grande perigo. Vá para o seu quarto e faça suas malas; mamãe e papai, vocês fiquem aqui enquanto eu faço minhas malas.
Assim que terminei de colocar apenas o essencial nas malas, como cuecas, meias, blusas, calças, bermudas, objetos de higiene pessoal e tudo mais, eu desci para sala e lá estavam os meus avós sentados no sofá. Logo em seguida veio minha mãe passando direto por nós para o portão. Ela o abriu e cinco homens vestidos de brancos entraram na sala, agarrando Thomas com uma injeção que o fez cair no chão. Vovó começou a gritar e tentou bater nos homens de branco. Mamãe chorava muito e apontou para mim. Senti uma pequena pontada no pescoço e ouvi mamãe dizendo.
- Sim, meu filho estava em perigo. Agora não está mais. 
Com um tremendo baque no chão, eu caí em um sono profundo. 

Algumas horas depois me dei conta que eu estava passando pela porta dos letreiros caídos do lar para pessoas mentalmente insanas de São Nicolau, o mesmo lugar onde estava meu avô por mais de treze anos. Tudo parecia mais assustador do que na primeira vez que entrei lá. Acho que porque da primeira vez eu sabia que iria sair de lá, mas dessa vez não havia saída. 
O corredor principal parecia mais frio do que o normal e dessa vez minha visão era do teto. As luzes passavam rapidamente por cima de mim enquanto minha mãe era levada por um senhor para a recepção. No elevador um homem de terno entrou e ficou do meu lado. Olhou para mim e com um sorriso malicioso disse:
- Vamos nos divertir muito, sabia? Adoro a sua família, acho que é genético, não é mesmo? Mais um Gargiulli para animar a casa. He he, haha!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

18 de Fevereiro de 2013

O fato de não falar com Diego me incomodava ainda mais depois da visita a Thomas. Eu queria poder falar com alguém, mas não existia ninguém com quem falar, eu estava, como sempre, sozinho. Não que eu estivesse querendo a amizade dele de volta, quer dizer, o que aquele idiota fez, não se faz com ninguém. Eu ainda estava com o olho esverdeado e amarelado e minha fama de lunático me perseguia. Toda vez que passava por um grupo de pessoas, eles começavam a cochichar. Podia ver Ana Carolina falando para o Joshua como eu "ainda estava na escola? Não deveria estar internado num hospício a essa hora?" e também tinham os comentários da Júlia Menezes com a Fernanda Olmenstein que podia jurar falou mais alto quando eu passei por elas e escutei que "ouvi dizer que ele estava namorando uma menina que não existia!" e Fernanda respondeu - "ah não! Ela existe, só não sabia que estava 'namorando' ele! Era uma relação de uma só pessoa: Charles e ele mesmo, Kath jamais namoraria um menino desses. Esquisito" - e as duas caíram na gargalhada.
- Oi
Aquela voz doce, eu reconheceria em qualquer lugar.
- Hã... Oi, Kath. Tudo bom?
- Sim! E você, Charles? Como você está? - perguntou colocando o cabelo por detrás da orelha.
- Estou. - e ri um pouco - Acho que estou bem, não estou num hospício ainda, então ... já é um começo.
- Ah! Quanto aquilo que houve com o Diego... bem... eu não tive tempo de vir falar com você sabe, ele estava me segurando o tempo todo. Eu juro que não sei o que houve com ele. Detestei aquela atitude infantil e desmerecedora de qualquer aplauso ou elogio que fosse! Briguei muito com ele e ele disse que não sabe o que aconteceu, que a boca dele abriu e saiu tudo aquilo... ele se arrepende muito, sabe.
- Não creio que aquele idiota esteja arrependido. - eu disse rispidamente - Acho que se ele estivesse arrependido ele teria falado comigo.Não concorda, Kath?
Ela deu sorrisinho meio sem jeito e continuou.
- Eu terminei com ele, sabe? Eu não podia continuar com alguém que humilhasse alguém como você na frente da escola toda.
Não sabia o que dizer. Porque ela estava me contando aquilo? Ela queria que eu tomasse uma atitude? Ou era simplesmente um aviso: Olha, gosto muito de você como amigo e por isso terminei com ele por ter sido um idiota com você. As meninas podem ser tão confusas e nos deixar tão confusos quanto elas. Acho que demorei tanto para responder que ela me deu um beijo na bochecha, disse no pé do meu ouvido "se cuida tá bem, charles? eu gosto muito de você" e foi embora. Mais sinais de que ela realmente gostava de mim ou apenas um sinal de amizade? De qualquer jeito, não existia nada que eu pudesse fazer agora, a sineta e tocou e eu rumei para a sala de Sociologia.
- Hoje trataremos de um tema extremamente importante para o nosso ano letivo e para a vida de vocês. Alguém aqui poderia me dizer o que é sociedade? O que forma uma sociedade? Quais os conceitos de sociedade?
- Eu saberia responder essa, se estivéssemos falando de uma sociedade não humana.
Eu me virei e lá estava, bem do meu lado. Julius estava sentado com as pernas cruzadas, bem do meu lado, ali, como se fosse a coisa mais normal do mundo ter um ser extraterrestre de aproximadamente 1,80cm, com agora uma cor meio verde, eu jurava que ele era meio amarelado na última vez que o vi, e seus grandes olhos me azuis encaravam com curiosidade e bondade. Suas mãos já não estavam mais enrugadas e suas unhas não eram tão compridas. Suas vestes estavam negras. Era um grande manto vermelho que cobria suas vestes pretas e brancas. Ele sorriu de leve e continuou.
- Você sabe o que é uma sociedade, Charles?
- Eu não vou falar com você. Você não é real, não existe, é fruto da minha imaginação.
- Será que sou?
- Sim. É sim.
- Então, diga, como seu avô me conhecia? Como ele sabe a história sobre Ogloom, Demetrius, energia pura se isso foi, apenas... como você disse... um fruto da sua fértil imaginação?
- Então, se vocês abrirem os livros na página noventa e sete verão que ... - ouvi a professora dizer depois do silêncio que se estendeu entre Julius e eu. Olhei em volta e como ninguém parecia notar sua presença ou o fato de eu estar falando com alguém que não estava ali, eu prossegui:
- Se você existe, porque só eu estou te vendo nesse momento?
- Porque é assim que quero, Charles. Essa gente não precisa me ver. Eles não sabem que, apesar de se acharem tão importantes, são um mero nada. Eles se julgam populares e humilham as pessoas que são consideradas estranhas, achando que de alguma forma são superiores. Os seres humanos não passam de uma formiga que é esmagada pelo sapato sem ser notada. Não passam de um vão no meio do universo e acham que são o centro de tudo. Seu povo age como animais selvagens, matando uns aos outros sem motivo algum ou pior, por motivos tão fúteis quanto não conseguir abrir uma lata de picles. Vocês são a raça mais desprezada pelos outros planetas. Não evoluíram nada, absolutamente nada, desde os primórdios da Terra. Vocês continuam a ser aqueles seres que andavam nus e não falavam, na verdade, se tornaram ainda pior. Eles não devem ter o privilégio de me ver.
- Se somos tão ruins assim, porque estão aqui?
- Você.
- Sou mesmo, a fonte de energia da qual meu vô, falou?
- Sim e não. Você não é apenas uma fonte de energia, Charles. Todos somos fontes de energia, de alguma forma, mas somos. Acontece que algumas pessoas nascem com o que chamamos de Energia Pura. Você não vai entender se eu lhe explicar agora, mas você é um Realizador. Está rodeado de energia pura e um dia irá entender como usá-la. Eu preciso que você aprenda isso logo, pois Demetrius quer voltar para cá. Ele despreza os seres humanos mais do que todos nós, mesmo assim, seu desejo de pisar na Terra é insaciável, pois aqui reside a única fonte de Energia Pura conhecida. Você.
Mais uma pausa, a professora agora andava pela sala a procura de espertinhos que não estivessem fazendo o que ela pediu. Abri meu livro rapidamente na página noventa e sete e comecei a copiar a lição, enquanto falava quase que em silêncio com Julius.
- Posso saber se... quer dizer... porque o senhor está me ajudando? O senhor não é servo dele? Não deveria estar ajudando-o a chegar até mim?
- É - Julius deu uma risada poderosa que deveria ter sido escutada a distância, mas ninguém ouviu - Deveria, mas ele me mandou aqui para lhe observar e relatar tudo sobre sua vida, entende? Você deveria continuar a ser um Realizador, não importa o que acontecesse, para que você pudesse manter a energia pura dentro de si. Acontece que você é um garoto excepcional e eu fiz a coisa que mais temia nessa vida, eu me apeguei a você. Você se tornou quase que como um filho para mim... eu... eu o protegi de tantos perigos, impedi tantos acidentes, tudo para que você continuasse vivo...
- Para que eu continuasse vivo até a hora de Demetrius me matar, não é?
- Infelizmente sim. Mas agora vejo que foi um erro, Demetrius está obcecado, não só por você, mas por todo esse planeta imundo. Planeta que se tornou meu lar por longos dezessete anos, Charles. Não posso deixá-lo destruí-lo, não posso deixar com que ele mate você. Por isso avisei sua vó, hoje cedo, para tirar você daqui. Ela vai te ensinar como usar a energia pura, como se proteger.
- Não... não sei o que dizer...
- Não diga nada, apenas faça seu dever. - e apontou para a professora.
Quando me virei, Julius não estava mais lá.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

16 de Fevereiro de 2013

Achei que iriam me enrolar por mais tempo. Foram apenas três dias até que minha mãe e minha avó decidiram me levar até o hospício onde meu avô estava internado. Não quiseram mencionar nem o nome do hospital e durante o caminho não falavam nada.
Pela janela eu podia ver os matos e galhos secos que corriam pela janela enquanto minha mãe acelerava o carro, sempre dando olhadas nervosas a minha vó no banco de carona, e podia ouvir o som do vento. Era tudo muito lindo e vazio, era um monte de nada que me mostrava tudo.
Depois de uns quarenta minutos dentro do carro, o que me pareceu bem menos enquanto observava toda aquela bela paisagem, chegamos em lugar que parecia tremendamente abandonado e assustador. Uma placa em cor vermelha, onde faltavam algumas letras, indicavam o seguinte:
"LAR DOS MEN ALMENTE I  ANOS PA A REABI   AÇÃO"
Entramos cuidadosamente pelo portão, o qual em juro que grunhiu para nós, e passamos por um vasto pedaço de algo que eu jurava, um dia, ter sido um belo jardim, que agora era ocupado pro velhas folhas secas que cobriam por inteiro o chão e levantam quando o vento batia, sacudindo também as arvores ao nosso redor. Alguns passos mais a frente chegamos numa porta, que era a única coisa que não parecia destruída no ambiente, que quando abria nos levava direto para a recepção. Haviam duas mulheres sentadas a mesa com fones de ouvidos que era conectados a um microfone que era ligado ao telefone. Uma delas era muito gorda, loira, com uma verruga gigante sob a sobrancelha, que tinha largos lábios que não paravam de mascar chiclete, e a outra era uma mulher jovem e muito linda, sua pele era morena da cor do chocolate e seu cabelo estava preso por um coque, com lindos olhos dor de mel e as duas pareciam ocupadas, mas a senhora que eu julgava feia foi a primeira a nos atender dizendo:
- Boa tarde! Lar dos Mentalmente Insanos para Reabilitação Santo Eduardo, como posso ajudar? - disse com uma voz que se estendia muito irritantemente.
- Estamos aqui para ver meu marido, Thomas Gargiulli. Meu nome é Gargiulli, Dolores.
- Ele está no quarto setenta e três, no sétimo andar, senhora Dolores.
- Muito obrigada, querida.
Pegamos o elevador velho e sujo que me dava mais medo do que uma maratona de filmes de terror num quarto escuro sozinho, todos em muito silêncio quando mamãe começou a falar:
- Sabe, Charles querido, nós queríamos que você soubesse que bem... han... - encarou a minha vó por alguns segundos e então tornou-se a olhar para mim - o seu avô não fala já faz algum tempo, sabe? Ele desenvolveu certos problemas de comunicação e talvez seja muito complicado de entender o que ele esteja falando. Não se assuste, o.k.?
Paramos na porta do setenta e três depois de passar por um longo corredor, de onde se escutavam berros, gritos de socorro e pessoas que pareciam exasperadas com os guardas do corredor. Dolores abriu a porta cuidadosamente e um médico muito alto se levantou da cadeira e disse que a visita seria feita sob observação, mas que teríamos toda a privacidade do mundo, sua boa seria um tumulo, confirmou o médico gentilmente.
Lá estava meu avô, um senhor com uma cara muito triste, mas que parecia que foi alguém muito jovem e belo no passado, mas que agora exalava cansaço e desapontamento. Ele era um homem alto, mas parecia muito baixo pois estava curvado, seus cabelos eram grisalhos e sua boca parecia muito seca. Seus olhos exibiam anos de sofrimento e abandono e sua orelhas eram extremamente grandes para sua cabeça não tão grande assim, tinha um queixo alongado e a pele cheia de rugas. Muito diferente da minha vó Dolores que tinha seus setenta anos, mas que quase não demonstrava rugas. Vovô estava mexendo seus braços para cima e para baixo, usando o indicador como um pincel a pintar a parede só que sem tinta.
- Thomas, querido - pigarreou a vovó - estamos aqui com uma visitinha a mais, é o seu neto, lembra dele? Charles está aqui, meu amor. Veio te ver.
Thomas se virou cuidadosamente e se aproximou de mim como um animal com medo de sair da sua toca. Nunca senti tanta pena de alguém na minha vida. Ali estava o homem que tentou me matar, quase se rastejando para tentar me alcançar, enquanto estava parado. Ele chegou bem perto e passou as mãos em meu rosto, o acariciando, que leve toque que ele tinha. Depois de um tempinho, ele se afastou e voltou para a parede. Em cima de sua mesa, havia um desenho que se repetia várias e várias vezes. Era um brasão, com  um dragão e guerreiro. Vovô olhava para o desenho e para a parede, como se estivesse tentando passar o desenho do papel para o desenho.
- Vovô - eu comecei a falar - o senhor poderia me falar sobre Demetrius?
Minha vó sorriu de um canto da boca, como se quisesse que eu fizesse essa pergunta desde o momento em que entramos na sala, algo totalmente diferente da reação da minha mãe, que me olhou boquiaberta e com um olhar de fúria que iria me matar assim que saíssemos do prédio. A reação de Thomas, no entanto, foi a que mais me surpreendeu. Ele olhou para mim, diretamente nos meus olhos e se ergueu. Sua coluna estava totalmente ereta e ele parecia ter voltado a razão, como se estivesse... estivesse... lúcido!
- Meu jovem, Charles. Eu não poderia lhe informar sobre Demetrius mais do que você já sabe. Nunca vi esse Demetrius, mas Julius O Mensageiro, me entregou sua mensagem. Ele disse que sua vó - disse apontando para Dolores, a voz de Thomas parecia jovial mais uma vez - seria sua guardiã e que o mestre dele viria lhe buscar quando completasse dezessete anos de idade, Charles. Demetrius vai voltar a Terra, ele vai sair de Ogloom e vai atacar quando você menos esperar, não caia em nenhum dos truques deles e confie em sua vó acima de tudo. Ela vai poder te ajudar e vai dar a vida dela por você. Precisamos que você deixe a cidade e vá para um treinamento para controle de energia, lá você vai encontrar um homem chamado Noberto e ele poderá te ajudar. Eu não posso fazer muito estando aqui, Charles, mas sei que você já é um homem agora, que pode se virar. Eu sinto muito por todo mal que já lhe causei, por tentar, sabe... tentar te... matar quando você tinha apenas um ano de idade. Pareceu-me sensato naquela hora, mas agora vejo que se você tivesse sido assassinado, todos estaríamos perdidos. O mundo precisa de você Charles, tanto quanto você precisa dele.
Ele deu alguns passos, sentou em uma cadeira e ficou me observando, como se nada tivesse acontecido. A porta se escancarou e o médico pediu para que saíssemos, ele teria de estudar o que acontece. Ele parecia tão lúcido e já voltara ao normal. Minha mãe colocou a mão sob meu ombro e fomos em direção ao corredor. Mais uma vez pegamos o elevador do terror e chegamos a saída do local.
Já no carro, vovó disse que conversaríamos quando chegássemos em casa, antes de minha mãe entrar no carro, ela deu uma piscadela e voltou a dirigir. A ida para casa nunca foi tão tranquila e cheia de perguntas.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

13 de Fevereiro de 2013

Chegando em casa eu não espera nada menos do que um belo discurso da minha adorável mãe. Mas ao invés disso a recebi com os olhos cheios de lágrimas e me mandando subir e não sair do meu quarto até que fosse ordenado.
Vindo da minha mãe eu não saberia dizer o que seria pior, mas sabia que com certeza deveria obedecê-la sem questionar, então subi para o meu quarto e lá fiquei até a manhã de hoje. Levantei com a luminosidade invadindo o meu quarto e com o relógio que não despertara. Havia, com certeza, perdido hora de ir pra escola e portanto não haviam motivos para levantar da cama. Fiquei deitado por mais uns cinco minutos quando ouvi algo estranho vindo do andar debaixo. Algo do tipo: "fale mais baixo ou o menino vai acordar!" em tom de um leve sussurro, um sussurro nada baixo.
Desci as escadas na ponta dos pés, pois era óbvio que se referiam a mim quando falando que "o menino vai acordar". Sorrateiramente segui o som das vozes que partiam da cozinha, chegando a porta, que estava meio aberta, eu parei e comecei a escutar a conversa.
- Você não pode ficar escondendo do menino aquilo que está para acontecer. - dizia uma voz trêmula e rouca que lembrava muito da voz de minha avó.
- Eu não vou voltar nesse assunto, mamãe. - disse minha mãe como quem queria dar um basta na conversa.
- Minha querida, preste atenção ao seu redor. As coisas que estão acontecendo; você não acha muito estranho que o garoto esteja escutando essas vozes? Não acha estranho que esteja acontecendo exatamente aquilo que meu marido, seu pai, nos alertou?
- Não-toque-no-nome-do-papai. - mamãe sibilou em tom de puro nervosismo - Sabemos muito bem o que foi que aconteceu com ele. Se o charles soubesse ...
- Talvez seja a hora de eu realmente levar o menino, Helena, talvez esteja na hora de deixá-lo partir. Fazer aquilo que ele nasceu para realizar.
- NÃO OUSE ENTRAR NA MINHA CASA E LEVAR MEU FILHO DE MIM! - mamãe cuspia fúria para todos os lados, seu pescoço nunca estiver tão vermelho - NÃO VOU DEIXAR QUE ACONTEÇA COM ELE O QUE ACONTECEU COM O PAPAI, A SENHORA ESTÁ ME OUVINDO? SERÁ QUE ESTOU SENDO CLARA O SUFICIENTE, MAMÃE? EU O AMO E NÃO QUERO QUE ELE SOFRA ESSE DESTINO, NÃO VOU AGUENTAR PERDÊ-LO! NÃO DE NOVO .... de novo não - abaixou a voz e sentou no sofá, estava chorando.
- Minha filha, já falamos sobre isso...
- Meu filho está sendo tachado de louco mamãe, ele não é a fonte de energia de nada, meu filho está ficando louco e eu preciso de ajuda. Se tudo que a senhora tem a me oferecer é isso, então pode se retirar. - disse dona Helena apontando para a porta.
- Seu pai não é louco sabia? Ele sabe das coisas, aquilo foi um deslize. Charles vai precisar de muito mais ajuda do que um psicólogo, Helena, não será nada fácil, as coisas que estão por vir...
- PRESTE ATENÇÃO MAMÃE - ela voltou a gritar - MEU FILHO NÃO É FONTE DE NADA, ELE É... ELE É, APENAS ESTÁ PASSANDO POR UMA FASE DIFÍCIL. Eu não posso, não agora. ELE ESTÁ PERDENDO A CABEÇA MAMÃE.
A porta se abriu um pouco. Lá estava parado o menino tachado de louco.
- Charles! - exclamou vovó num tom de surpresa.
- Filho - disse minha mãe se virando para a porta - Você ... é ... estava ouvindo isso tudo?
- Ouvi e, certamente, gostaria de ouvir muito mais. A vovó disse que o vovô sabe das coisas, mas vocês sempre me disseram que meu avô morreu. Não era correto, então, usar sabia?
As duas se entreolharam com um certo receio e nervosismo. Poucos segundo depois, que me pareceram uma eternidade, as duas fizeram uma aceno com a cabeça em sinal de concordância e minha mãe voltou a falar, de forma calma e ordenada.
- Em 1989, seu avô estava conversando conosco em um almoço de domingo, toda a família estava reunida a mesa rindo e conversando. Seu avô, Thomas Gargiulli, se aproximou da minha mesa perguntando seu já tinha planejado ter um bebê com meu marido, seu pai. Responde que estávamos seriamente pensando no assunto e que esse fora o tópico de nossas conversas por dois longos meses, seu avô, claro, pareceu muito animado com a notícia e passou a tarde toda comentando o quanto ele seria feliz se tivesse um neto. Alguns anos foram se passando e todo almoço de domingo se tornara a mesma coisa: seu vô se aproximava da minha mesa, perguntando sobre o meu futuro bebê e se esbaldava na ideia de ter um neto.
"Quando ele descobriu que finalmente havia engravidado, ele ficou muito contente e espalhou para todo mundo. Você, antes mesmo de nascer, já era o motivo de felicidade de muita gente, Charles. No dia de seu nascimento, porém, seu avô não apareceu. Ele, de fato, ficou por volta de dois ou três dias sem aparecer para nos ver. Todos estávamos preocupados, mas sua vó dizia para não nos preocuparmos, ainda não.
Depois desses dois dias, seu avô apareceu no hospital em um estado pálido, sem fazer a barba e com cheiro de álcool muito forte saindo do seu hálito. Parou do meu lado e começou a me contar como aquele menino era importante e como ele mudaria as coisas de um jeito que ninguém jamais previa, que deveríamos proteger você a todo custo e que você era puro. Ele começou a me assustar do jeito que começou a falar e então, depois de muito discurso sobre o quanto você mudaria o modo como as pessoas vêem o mundo, ele se afastou tranquilamente, cambaleando e beijando a testa do meu marido. Tentamos ignorar esse fato até que o dia do seu aniversário de um ano chegou."
" Estávamos todos comemorando em muito estilo o seu primeiro ano de vida, Charles e nunca vira você tão feliz. Seu sorrisinho quase sem dentes era um doce de visão e a sua volta não existia quem ficasse triste. Depois de cantado o parabéns, seu avô invadiu a festa. Invadiu não porque ele não havia sido convidado, mas porque ele derrubou a porta e correu em minha direção. Agarrou você do meu colo e começou a correr, colando-o num carro e acelerando cada vez mais, seu avô fez todos na festa tremerem. Seu pai, obviamente, ligou o carro e o seguiu até uma praia deserta onde eles pararam seus carros. De acordo com seu pai, Thomas o segurava no alto das mãos dizendo que, Femetrius, Caterius ..."
- Demetrius - eu interrompi e pedi para que ela continuasse.
- Enfim, ele te segurava nas mãos dizendo a Demetrius que - ela pausou e olhou para mim - como você sabe o nome que ele falou?
- Não importa. Não agora, continue a história por favor.
- Está bem - continuou ela - dizendo que Demetrius não poderia ter energia pura se a única fonte de energia pura estivesse morta. Ele olhou para seu pai e disse para ele não se preocupar, que estava fazendo a coisa certa, que matar você salvaria um mundo inteiro. Graças a meu bom Deus, seu pai conseguiu derrubar Thomas bem a tempo de ele te jogar penhasco abaixo. Claro que como consequência desse ato, seu avô está, hoje, internado em uma clínica para pessoas que são ... bem... loucas, sabe? Entende porque mentimos sobre seu avô? Ele tentou tirar meu bebê de mim, tirar a vida da minha alegria, eliminar você do mundo por causa de uma ideia completamente sem sentido, sem fundamentos. Não existem seres vindos de Ogloom, não existe Demetrius e nem mesmo fontes de energia pura. Seu avô era, e ainda é, um homem fora de si que chegou a era senil e já não fala mais nada com nada. Eu não quero que você acabe como ele, meu filho. Por isso eu nossa família decidimos que seria melhor que não conhecesse seu avô, mas também pensasse que ele estivesse morto para que, assim, pudéssemos evitar perguntas constrangedoras.
Parecia que minha mãe não respirava faia séculos. Ela agora estava ofegante e seu rosto extremamente vermelho, suas veias saltavam para fora do pescoço e ela recomeçou a chorar. Por um instante tinha sentido muita raiva dela. Como pôde minha própria família esconder a verdade sobre meu avô? Ele estava vivo e todos disseram que ele estava morto, mas depois de um tempo senti pena. Ela apenas fez o que julgou ter sido melhor, quer dizer, aquele homem tentou roubar-me dela. Não tive como continuar aquela conversa, mas terminei dizendo o seguinte:
- Quero conhecer meu vô. Sem mais nem menos.
Virei-me sem olhar para as duas e retornei ao meu quarto. Fiquei o dia todo sentado olhando para teto, com vários intervalos para assistir uma televisão, jogar videogame, ler um livro e comer. Contudo, não consegui prestar mais atenção em nada, apenas pensei que tudo aquilo parecia cada vez mais real.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

12 de Fevereiro de 2013

Os dias foram se passando e eu comecei a pisar no pé de certas pessoas na escola. Pisei principalmente no pé do Diego e isso era algo que não podia ter acontecido.

Todo esse tempo, Diego, foi um dos meus melhores amigos e, portanto, sabia tudo que havia para saber sobre mim. Inclusive os meus sonhos e visões que estavam quase me levando a loucura, se claro, já não estivesse louco. O tempo foi passando e nesses poucos dias, Kath, se tornou uma grande amiga. Claro que isso causou grande ciúme no Diego. Ele sempre foi muito ciumento, mas não pensei que iria chegar a tanto.
Um certo dia, hoje, estávamos todos conversando sobre a matéria de matemática e Diego me encarava com aquela cara de que queria me matar. Kath estava com as mãos apoiada sobre meu ombro, Kath era mais alta que eu, naturalmente, e era muito ingênua para perceber o ciúme que isso causava em Diego. Eu não ligava muito, sabia que não tinha nada acontecendo entre a gente e eu respeitava meu amigo o suficiente para não fazer nada que fosse magoá-lo.
Quando tocou o sino, Katherine retirou o braço do meu ombro e foi em direção ao banheiro. Eu e os outros meninos começamos a andar em direção a sala quando ouvimos um grito. Era o meu grande amigo, enfurecido, suas veias saltavam e ele, que não era nada pequeno, veio em minha direção.
- É ASSIM QUE VOCÊ ME TRATA DEPOIS DE TODOS ESSES ANOS? - vociferou.
- Do que você está falando, Diego? - minhas pernas tremiam como nunca.
- VOCÊ ACHA QUE EU NÃO NOTEI QUE VOCÊ ESTÁ CAIDINHO PELA KATH?
- Eu jamais faria isso, Diego. VOCÊ ME CONHECE CARAMBA! - levantei minha voz e rapidamente voltei ao normal - Você é meu melhor amigo e eu jamais faria qualquer coisa para te magoar. Sim, eu sinto algo pela Kath, mas não vou fazer nada porque sei que ela te ama e que você a ama também.
Ele correu em minha direção e me acertou no olho. Nunca pensei que veria uma cena daquela, a escola toda estava me encarando e quando levantei ele ainda não tinha terminado.
- VOCÊ É UM LOUCO! SE AS PESSOAS SOUBESSEM QUEM VOCÊ REALMENTE É....
- DIEGO! NÃO FAÇA ISSO, É PESSOAL, NÃO O FAÇA!!!
- AS PESSOAS OLHARIAM PARA VOCÊ COM OS MESMOS OLHOS SE SOUBESSEM QUE VOCÊ OUVE VOZES?
A escola inteira parou e olhou para mim. No mesmo momento, Lucchese estava me encarando, saindo do banheiro. Me olhou estranho e olhou para Diego. Acho que nem ela estava o reconhecendo mais.
- AAH, ISSO MESMO! ELE NÃO SÓ OUVE VOZES COMO TAMBÉM AS VÊ E AINDA CONVERSA COM ELAS! - ele se agachou bem para perto do meu ouvido e sussurrou- Se vira com isso neguinho.
Todos começaram a apontar em minha direção e a comentar. Os comentários que deveria entrar por um ouvido e sair por outro começaram a entrar e perfurar meu coração. O que está acontecendo com a minha vida? Estava deitado no chão, com um olho roxo e o nariz sangrando, com uma multidão inteira apontando para mim e comentando que eu via e falava com coisas que não existiam. Levantei e fui escoltado pela Inspetora de Alunos, do meu lado, meu grande amigo sorria, satisfeito com seu grande show.

06 de Fevereiro de 2013

Depois do ocorrido que ocorreu (hehe, sou muito engraçado às vezes) eu não pude evitar de me entristecer com meu querido amigo Diego. Contudo não posso culpá-lo, Kath é, realmente, uma menina incrível e apaixonante. Admito que fiquei muito desapontado, pois pensava que ela estaria gostando de mim; as visitas no hospital tinham significado algo para mim, mas aparentemente não significou nada para ela.
O dia seguinte não foi tão diferente do primeiro dia, ainda haviam estudantes que prologaram em mais um dia suas férias e então foi mais gritaria e agitação para tudo quanto é lado. Meus olhos fitavam o outro lado da sala, onde estavam Diego e Katherine num cochicho insuportável para minha mente. Tentei prestar atenção na aula, mas era impossível. Eles pareciam tão apaixonados, em tão pouco tempo, mas às vezes, eu podia jurar que Kath olhava para mim, como se quisesse algo.
A professora de Língua Portuguesa adentrou à sala cinco minutos depois de tocarem o sinal e começou sua falação de sempre. Era alta e muito magra, com óculos que ficavam na ponta do nariz, seus olhos estavam sempre cansados e tristes e seu sorriso nunca foi visto. Era uma mulher muito inteligente e escrevia muito bem, já tinha três livros publicados, e ainda assim era submetida aos alunos que estavam na minha sala. Eram trinta e sete alunos no total (escola pública, né?) e nenhum deles respeitava a Senhora Kim. Ela falava, já sem esperanças, enquanto arrumava seus cabelos negros e brancos, ressecados e com pontas duplas presos em um coque tenebroso. Estava sempre vestida muito parecida; um avental branco, blusas de cores neutras e calças jeans com sapatilhas de cores claras. Não sei o motivo, mas quando comecei a notar o que a professora estava falando eu me desliguei dos dois pombinhos. Resolvi escutá-la até o final da aula. Sem cair no sono.
Após os quarenta e cinco minutos de explicação sobre as regras da escola, que nunca mudam, eu pude finalmente me levantar e correr para o corredor da próxima sala. Não queria me deparar com Diego, nem com a Kath. Percebi que logo isso seria impossível, éramos todos da mesma sala e melhores amigos, tinha que me acostumar com a ideia e deixar acontecer. Se Kath estava feliz, então eu também estava.
No intervalo das aulas eu resolvi me juntar a eles, interrompi o assunto com minha clássica piada: Estavam falando da minha beleza ou inteligência? (enquanto jogava meus cabelos ao ar). Kath riu, e que riso era aquele. Não podia me deixar levar.  Diego me abraçou, arrastando-me para a roda de amigos e eu nunca me senti tão intrometido. Era como se eu não fizesse parte deles, mas ao mesmo tempo nunca me senti tão acolhido.
Ficamos o tempo todo conversando e de repente Diego decidiu se afastar do grupo levanto todos eles juntos, restando apenas eu e Kath, Kath e eu. Não sei o que houve, mas ficamos tanto tempo conversando que chegamos atrasados na sala de aula. O professor de Biologia, Adailton Boa Praça, nos olhou com uma cara muito feia e disse:
- Será que os dois pombinhos podem se apressar em achar os seus lugares?
Diego, no fundo da sala não parecia muito contente. Eu sorri e me sentei, pensando o quanto foi bom esse intervalo. O que fez Diego se afastar, levando todo mundo junto com ele? Não sei bem o que foi, mas gostei que tenha sido assim, foi um ótimo dia, um ótimo dia mesmo.

05 de Fevereiro de 2013

Primeiro dia de aula foi como todos os outros. Uma barulheira infernal vinda de todos os lados, meninas gritando e correndo em direção a suas amigas para em um pulo abraçá-las de pernas abertas, meninos que se xingavam ao ver seu melhor amigo. Um resumo breve do som escutado em todo início de ano seria mais ou menos assim:
" E aí seu viado, arrombado, belê?"
"Fala seu pedaço de merda!" (nunca falam isso, mas me recuso a utilizar o vocabulário usado por eles)
Do outro lado:
" Amigáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Que saudadeee de vocêe!"
" Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! Tenho muitaaaa coisa pra te contar, você nem sabe!"
Uma pessoa com a mente perturbada como a minha, não suporta o primeiro dia de aula de uma escola pública. Ou particular. Qualquer primeiro dia de aula, para alguém como eu, é uma tortura sem tamanho. Entrei pelas porta verde escura, agora não mais enferrujada, e olhei para as paredes brancas que se encontravam bem no início da escola. Incrível como ano passa e a escola continua a mesma, mesmo tão diferente.
Roberto, Diego e Alexandre vieram, no mesmo momento que me viram entrar, em minha direção para me dar aquele abraço que eu tanto odeio. As meninas também apareceram para formar nosso grupo de amizade, grupo de trabalho e grupo de reclamações. No total eram sete, ou eu achava que eram sete, formavam o grupo: Diego, Alexandre, Roberto, Alexia, Mariana e Taís. Alguns minutos de conversa sobre as férias quando Diego resolve que tem uma notícia para nos dar e que tinha que ser agora.
- Caracas! Parem de fala agora que eu tenho uma notícia daquelas.
- Que foi agora, Diego? - disse Alexia num tom de voz que demonstrava não parecer tão interessada assim.
- Eu, que sou lindo e muito inteligente - risadas o interromperam por um segundo - Com licença, eu que sou lindo e inteligente, para nenhuma surpresa de vocês, estou namorando! - terminou ele com muito orgulho no rosto.
- E quem foi a louca que pensou tudo isso de você? - gritou Alexandre rindo alto demais para que a escola toda pudesse ouvir.
- Gostaria de lhes apresentar, a oitava participante do nosso grupo. a senhorita Lucchese. Katherine Lucchese, minha namorada amada.
Meu coração congelou. Meus olhos vidrados no dela, se desviaram com rapidez. Lancei um sorriso nervoso para os dois e saí andando. Ainda muito atento pude ouvir as últimas duas coisas que eles falaram antes de saírem das mesas em direção à sala de aula.
- O que deu nele? - disse Diego preocupado.
- Pô velho! Você sabe da paixão dele pela Kath!
Kath olhou para mim com aqueles lindos e grandes olhos verdes e eu sumi.