Depois do ocorrido que ocorreu (hehe, sou muito engraçado às vezes) eu não pude evitar de me entristecer com meu querido amigo Diego. Contudo não posso culpá-lo, Kath é, realmente, uma menina incrível e apaixonante. Admito que fiquei muito desapontado, pois pensava que ela estaria gostando de mim; as visitas no hospital tinham significado algo para mim, mas aparentemente não significou nada para ela.
O dia seguinte não foi tão diferente do primeiro dia, ainda haviam estudantes que prologaram em mais um dia suas férias e então foi mais gritaria e agitação para tudo quanto é lado. Meus olhos fitavam o outro lado da sala, onde estavam Diego e Katherine num cochicho insuportável para minha mente. Tentei prestar atenção na aula, mas era impossível. Eles pareciam tão apaixonados, em tão pouco tempo, mas às vezes, eu podia jurar que Kath olhava para mim, como se quisesse algo.
A professora de Língua Portuguesa adentrou à sala cinco minutos depois de tocarem o sinal e começou sua falação de sempre. Era alta e muito magra, com óculos que ficavam na ponta do nariz, seus olhos estavam sempre cansados e tristes e seu sorriso nunca foi visto. Era uma mulher muito inteligente e escrevia muito bem, já tinha três livros publicados, e ainda assim era submetida aos alunos que estavam na minha sala. Eram trinta e sete alunos no total (escola pública, né?) e nenhum deles respeitava a Senhora Kim. Ela falava, já sem esperanças, enquanto arrumava seus cabelos negros e brancos, ressecados e com pontas duplas presos em um coque tenebroso. Estava sempre vestida muito parecida; um avental branco, blusas de cores neutras e calças jeans com sapatilhas de cores claras. Não sei o motivo, mas quando comecei a notar o que a professora estava falando eu me desliguei dos dois pombinhos. Resolvi escutá-la até o final da aula. Sem cair no sono.
Após os quarenta e cinco minutos de explicação sobre as regras da escola, que nunca mudam, eu pude finalmente me levantar e correr para o corredor da próxima sala. Não queria me deparar com Diego, nem com a Kath. Percebi que logo isso seria impossível, éramos todos da mesma sala e melhores amigos, tinha que me acostumar com a ideia e deixar acontecer. Se Kath estava feliz, então eu também estava.
No intervalo das aulas eu resolvi me juntar a eles, interrompi o assunto com minha clássica piada: Estavam falando da minha beleza ou inteligência? (enquanto jogava meus cabelos ao ar). Kath riu, e que riso era aquele. Não podia me deixar levar. Diego me abraçou, arrastando-me para a roda de amigos e eu nunca me senti tão intrometido. Era como se eu não fizesse parte deles, mas ao mesmo tempo nunca me senti tão acolhido.
Ficamos o tempo todo conversando e de repente Diego decidiu se afastar do grupo levanto todos eles juntos, restando apenas eu e Kath, Kath e eu. Não sei o que houve, mas ficamos tanto tempo conversando que chegamos atrasados na sala de aula. O professor de Biologia, Adailton Boa Praça, nos olhou com uma cara muito feia e disse:
- Será que os dois pombinhos podem se apressar em achar os seus lugares?
Diego, no fundo da sala não parecia muito contente. Eu sorri e me sentei, pensando o quanto foi bom esse intervalo. O que fez Diego se afastar, levando todo mundo junto com ele? Não sei bem o que foi, mas gostei que tenha sido assim, foi um ótimo dia, um ótimo dia mesmo.
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