quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

16 de Janeiro de 2013


Quando deu aproximadamente, duas da manhã, uma enfermeira veio verificar como eu estava e mais ou menos, umas três da manhã eu vi o ser de novo. Levantei da minha cama e pensei "se for apenas uma visão, ótimo, é apenas uma lembrança" então eu me aproximei daquilo. Toquei sua mão. Toquei sua mão. Não era para ter tocado, você não sente uma coisa que não está lá. Isso significava que ele estava lá. Estava lá.
Caí e me arrastei até a cama, tentando me levantar. Não tinha forças na perna e sentia um medo indescritível. O ser de olhos negros se aproximou de mim e me pegou no colo, não conseguia nem me debater. Colocou-que na cama e sussurrou ao pé do meu ouvido:
"Não deves temer garoto da Terra. Ainda não. Faça como os seus atores e finja. Finja que durma para salvar sua própria vida, mas em momento algum. Repito: Momento Algum. Tampe seus ouvidos ou feche seus olhos"
Não sei bem se foi meu medo ou se estava sendo sensato, mas escutei aquele ser estranho. Seria ele o estranho? Ou eu? Era mais estranho um ser entrar na sua sala do hospital e pedir para você fingir que dormia ou um menino que escutava vozes ver um ser estranho e obedecer o que ele me dizia?
Seja qual duas duas opções fosse a mais estranha, ambas aconteceram. Fechei meus olhos e continuei a observar. Do escuro do canto esquerdo da sala, uma voz surgiu. Uma voz meio rouca que ainda parecia fraca. Talvez se recuperando de algum acidente, seria outro paciente? A voz começou a dizer, em um tom também assustador(Mas dentro de um hospital o que não é assustador não é mesmo?):
"Seria esse o garoto mortal do qual me falaram? Será a alma dele que irá me curar? Diga Julius, preciso saber! Não esconda de mim mais nada ou você pagará caro."
"Sim, Meu Mestre. Esse garoto tem tudo o que o Senhor precisa para sobreviver. Porém, o garoto não pode ser tocado ainda."
"Quanto mais preciso esperar? Qual motivo de sua proteção?"
"O garoto tem na Terra uma protetora muita poderosa, uma anciã que há muito vaga por esse local abandonado e repugnante que chama de lar"
"Ache um meio de levar até esse inferno. Não me decepcione Julius!"
A voz desapareceu no ar, mas ainda permanecia o suspense. O ser se aproximou de minha cama, sentou na beirada e pediu para que eu tomasse cuidado. Que eu não estava só e que existia alguém que ali poderia me ajudar. Piscou e sorriu de forma estranha. Definitivamente, não tinha nascido ou sido feito para sorrir. Perguntas e mais perguntas ficavam flutuando pela minha mente e a que mais me martelava era aquela que eu acho que já sabia a resposta. Quem seria a protetora de quem ele tanto falava?
Na manhã que se sucedeu, contei tudo para minha adorável mãe. Que contou para o médico. Que contou para a enfermeira. Que todos juntos, pensavam que eram o remédio. Mas mamãe como sempre, pensava que Dr. Martin poderia ajudar.



Era de tarde quando adentrei o consultório do Dr. Martin. Era tarde quando saí. Nunca digo aqui, o que ele me diz lá. Entretanto devo admitir que nossas conversas estão ficando cada vez mais complexas. Não sei ao certo se alguém as consideraria assim, mas Martin disse que o que importa é o que eu penso, ele não se referia apenas a esse sentimento, mas também ao fato de eu estar pensando se era real ou não. Turbilhão de ideias. Ele sorriu e disse para não me preocupar com nada, que tudo estaria certo. Ele era um ser muito inteligente, e sim, é questionável a minha opinião para avaliar um ser inteligente, mas Dr Martin era o ser mais inteligente que já havia conhecido. Magro e de estatura média, cabelos castanhos escuros e uma barba meio loura. Olhos castanhos mel e óculos quadrados quase invisíveis. Olhava para mim sempre sorrindo. Me confortava e ao mesmo tempo me deixava nervoso. Mamãe entrou na sala dele e saiu com um frascos de remédio. Vai ficar tudo bem. Tudo bem.

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