segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

14 de Janeiro de 2013

Gostaria de começar pedindo desculpas pelo meu desaparecimento total do diário, mas tenho uma desculpa que acho que será aceitável.
O dia 05 de Janeiro começou como outro qualquer, levantei tarde pois não estava no humor para levantar-me cedo. Enrolei na cama por mais duas horinhas até realmente me levantar. Comecei a assistir televisão e um filme de suspense que era de baixo orçamento, mas que realmente prendeu a minha atenção. Péssimos atores e a imagem também não era de se elogiar. Mas a trama era divina. Não lembro dela e vou explicar o porquê.
Com o final do filme veio o começo de minha fome, então levantei para pegar alguma coisa na geladeira e uma coceira no ouvido me incomodou enquanto tentava alcançar o queijo.
"Ainda não entendeu não é mesmo, Charles? Saia daí enquanto há tempo. Corra agora e não olhe para trás."
Minha primeira reação foi olhar para trás. Lágrimas escorreram pelos meus olhos até meu queixo e pensei que finalmente tinha ficado doido, a voz estava tão nítida em minha cabeça que era quase como se estivesse lá. Fechei a porta da geladeira pensando em correr para os braços de minha mãe. A porta se fechou. *pac* Um ser de não menos que 1,80 cm. de altura me encarava. Seu rosto pálido de cor amarela quase que branca, seus olhos grandes e azuis me encaravam dentro d'alma. Suas mãos eram compridas e enrugadas, suas unhas também eram enormes. Vestia um manto vermelho e dourado com uma capa azul. Olhou para mim e apontou dizendo com uma voz tremenda assustadora:
"Vá e não volte menino da Terra. Salve sua vida e a de seus semelhantes."
O suor desceu pela minha face fria e minhas mãos tremeram, tive tempo apenas de olhar para a porta e então corri, corri até não poder mais. 
Cheguei num lugar que não me era familiar na cidade, uma rua escura. Escura? Já era noite? Não me lembro bem, mas lembro dos passos que se aproximavam cada vez mais. Os gritos de dor que ecoavam pelos meus ouvidos agora sensíveis. Parei e tudo começou a girar. O ser estranho da minha cozinha estava pairando sobre minha visão. Apontava e parecia querer me alcançar, algo o impedia. 
Uma estranha visão, meio turva, me foi familiar. Uma senhora de jaqueta rosa estendia a mão e me abraça enquanto usava o celular na outra. Minha vó ao resgate. Sorri e entrei em coma por dez dias. Hoje cedo eu levantei e estou no hospital desde então. Esperando para saber se aquilo foi real ou apenas um fruto da minha fértil imaginação.

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