quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

03 de Janeiro de 2013

O dia amanheceu chuvoso e tempestuoso. Minhas mãos tremiam e o suor escorria pela minha pele oleosa. As pessoas paradas no meio da rua me encaravam de forma estranha e provavelmente se perguntavam o porquê de um menino estar jogado ao meio da rua, suando quando está frio.


Cheguei do hospital essa tarde. O psicólogo do hospital, Dr Martin, pediu para que eu colocasse em um diário tudo que acontecia no meu dia. 
Levantei às oito e às nove estava na rua, fui comprar pão e leite. Quatro pães e leite integral. O total foi de quatro reais e vinte e sete centavos. Andando pela rua meu ouvido começou a apitar e uma voz começou a sussurrar:
"Achamos você. Não pode se esconder agora Charles! Não corra ou você vai pagar!"
 Nesse momento tudo se apagou, minha mente fez o mundo ao meu redor girar e comecei a suar frio, minhas mãos tremiam como nunca haviam tremido antes. Ligaram então para minha mãe e imediatamente me encaminharam para o hospital mais próximo, Hospital São Joaquim, que ficava apenas duas quadras de distância. 
Chegando ao hospital me deram alguma droga que me fez desmaiar e tiraram chapas de todo meu corpo, quando não acharam nada demais dentro do meu corpo, mandaram-me para o psicólogo, diziam para minha mãe que poderia ser apenas um surto, que talvez eu apenas estivesse estressado.
"Charles, me diga filho, o que aconteceu com você essa manhã? Consegue se lembrar?"
Sim, eu conseguia me lembrar tão nitidamente, como se estivesse acontecendo naquele mesmo momento, podia escutar aquelas vozes como se estivessem na mesma sala que eu e o Dr Martin.
Após muita conversa e muitas palavras, ele finalmente me disse:
"Vamos continuar essa conversa semana que vem, pode ser? Enquanto isso, quero que escreva um diário, relatando o seu dia a dia, toda sua rotina, qualquer coisa que sentir, ou acontecer, deverá estar nesse diário, e depois, você irá me mostrar como ficou!"
Depois do hospital, minha mãe ficou me perguntando se estava estressado e se precisava de alguma coisa, de cinco em cinco minutos batia na porta:
"Precisa de alguma coisa querido? Qualquer coisa, mamãe está aqui embaixo"
Chegou então a hora de dormir, espero que o dia amanhã seja mais calmo do que o de hoje. Quer dizer, sem vozes nem nada. Belo jeito de começar o ano novo. 

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